segunda-feira, 19 de março de 2012

Breve histórico

A música em sua mais simples definição, se constitui numa das mais ricas e difundidas atividades culturais da sociedade atual, estando presente em situações de lazer, de pesquisa, de criação, de relacionamento social e até mesmo nas práticas terapêuticas. 
Porém, definir música é uma tarefa extremamente complicada, visto que a grosso modo, pode acabar por envolver a opinião do escritor sobre uma determinada música, tangendo-nos a um ponto de vista particular e restrito sobre o assunto. Cabe à nós apenas saber que é algo envolvente, não demonstrável, em constante mutação, que se atualiza a cada momento e dentro de suas práticas, é tida como uma das mais difundidas formas de expressão. Não se trata apenas de uma definição, para nós, músicos, é uma questão de compreensão, a partir da investigação de produções musicais específicas em momentos e ambientes específicos. 
Durante o século XX é possível perceber as mudanças nas produções e no significado da música dentro da sociedade. Uma dessas mudanças, se deve ao fato de antes, a música era produzida e consumida numa mesma determinada época. Quando voltamos ao enfoque contemporâneo, se inaugura uma nova postura, de que agora, vamos consumir músicas produzidas em outros tempos, outras épocas. Ao mesmo tempo que podemos escolher entre consumir música atual ou antiga, ainda nos vem em mente a grande variedade e acessibilidade de informação oferecida pela massa cultural. Surgem os meios de gravação no final do século XIX e desenvolve-se a industria fonográfica no decorrer do século XX. Agora, a música do passado poderia ser ouvida e apreciada, agora, as peças apresentadas nas salas de concertos, podem ser transformadas numa espécie de museu, onde ficam arquivadas músicas das mais variadas épocas.
Atrelado a esse pensamento, surge também uma nova conduta, quando antes tínhamos que ir até o local da peça pra ouví-la, agora se torna quase onipresente, é possível, através do desenvolvimento tecnológico, levar a música consigo, pois agora ela está em todos os lugares. Ocorre então a vasta proliferação de discos no fenômeno mercado, e cada vez mais vamos perdendo a acuidade antes direcionada aos concertos, hoje é possível ser colecionador de várias produções, sem entender nada dos elementos musicais.
No século XX ainda ocorre a separação explícita entre música erudita e popular, onde a primeira tenta manter seu status de criação artística diferenciada, cujo valor a colocaria acima de outras produções contemporâneas, a segunda é considerada como uma categoria inferior e degenerada e, sob esse ponto de vista, pensada a partir de texto, dança e lazer. De um outro extremo, temos a música erudita como desconectada de nosso tempo, sendo praticada por poucos, não cria identidade, nem encontra ressonância no gosto da maioria das pessoas. 
Temos para nós que a música produzida no século XX e a partir dele, torna-se cada vez mais particular em relação a produção, visto que cada um com seu gosto, tenta criar novos espelhos para explicitar o mundo através da música e isso faz com que cresça a riqueza de informações, mas não a genialidade das canções. É difícil compor a partir do erudito e talvez por isso, poucos o façam, visto que a grande massa popular, não saberia decifrar essa questão, então caímos no conformismo de somente acreditar na música popular como a mais conhecida e deixamos a criação de lado.


Fato.

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